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sísifo

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Sísifo | 40 X 50  | 2015  | à direita detalhes da obra

Recorrendo ao mito de Sísifo, pretendo mostrar, ou alertar, com esse trabalho, o perigo, o ridículo e o absurdo que corremos ao dirigir. Absurdo de vida, também alertado por Camus em seu ensaio sobre esse mito.

Estamos sempre fazendo as mesmas coisas todos os dias. Sempre em busca de uma posição melhor no trânsito. O motorista tenta, a qualquer preço, estar na frente. Tenta ultrapassar (trapacear?) todos os obstáculos como se fosse uma competição de automobilismo. Como se ele fosse um super-herói, em que tudo pode.

Muitas vezes ele não se dá conta que por mais que se esforce o trânsito não o deixa se libertar dos outros que estão em seu caminho. Chega a ser ridículo, muitas vezes, pois ele buzina, xinga, faz sinais obscenos, ultrapassa pelo lado direito e quando se dá conta está no mesmo ponto que os demais. No dia seguinte, começa tudo novamente.

 

 


a natureza (não está) morta

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caixa do projeto vista em várias posições

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os desenho e capas dos respectivos livros

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caixa e capas dos livros  | 2015

Com esse título, quero fazer uma brincadeira com o termo natureza morta. No inglês still life, que numa tradução razoável, significa vida suspensa ou vida parada. Para mim o mais indicado. Tudo na natureza, de certo modo, está vivo.

Quando ingerimos algum alimento, seja de origem animal ou vegetal, que aparentemente está morto, na verdade carrega em si nutrientes que nos faz ter energia e com isso sobrevivermos. Para alguns isso é chamado de energia vital. Tudo que existe na natureza, então, nunca morre; apenas se transforma. Para concretizar essa ideia uso, como suporte, o objeto livro. Pode parecer uma contradição, porém, acho o livro algo bastante vivo e atual. Qualquer livro, no meu entender, é sagrado.

No livro está todo o conhecimento humano, todas as ideias realizadas e tudo que o ser humano pensou e produziu. No livro há um compromisso com a verdade. Você acredita no que está escrito. No que está sendo feito e pensado. Na internet, salvo algumas exceções, não podemos acreditar em tudo. Há vários sites falsos que produzem coisas falsas, com ou sem intenção. Se quisermos pesquisar mesmo, temos que procurar locais na rede que são confiáveis, como os governamentais, instituições culturais ou fundações. Mas o livro… o livro… O livro é sempre atual, sempre verdadeiro. Mesmo com toda essa tecnologia.

Memorial descritivo: com pedaços de papelão, montei uma caixa, como aquelas que vemos nas livrarias, quando querem colocar uma coleção de livros à venda do mesmo autor ou sua coleção completa. Nesta caixa estão inseridos seis livros que fiz cortando pedaços de papelão, de tal forma que, quando abertos dá-se a impressão de ser um livro. Dentro desses livros, desenhei, com carvão, algumas naturezas mortas como morango, laranja, folhas etc. Abrindo o livro, há uma folha de mesmo material (papel pardo) para proteger o desenho. Cada livro, na capa, terá uma numeração em algarismo romano, numa sequência de um a seis. (livro I, livro II, livro III e assim por diante).

Na lateral desta caixa tem a palavra frágil, que faz referência tanto ao livro quanto a natureza, que imaginamos morta. Há, também, aqueles desenhos indicativos que nos alerta para o produto dentro dessa caixa. Na lombada está o título da obra A natureza (não está) Morta com o meu nome e a editora, que no caso é fictícia, claro.


 

 

coquetel molotov 

IMG_4100 - Copia

coquetel molotov  | frascos de plástico, barbante etc.  | interno: fotos sobre guerras e gelatina vermelha para  imitar sangue  | 2015

Trabalho para a instalação Mensagem de náufragos. Esta exposição é o resultado coletivo de oficinas de Arte Visuais Fundações das Artes de São Caetano que teve como suporte expressivo pequenos frascos de plástico transparentes onde foram depositadas mensagens e objetos que remetem à memória.

Neste meu trabalho coloquei em cada um destes frascos fotos que remetem às guerras e a violência presente em nosso mundo contemporâneo. Dei a aparência de coquetel molotov simbolizando que estamos, a todo instante, explodindo o nosso mundo e a vida que nele existe.


 

 

indiferença

Indiferença

indiferença  | papel cartão preto colado sobre uma prancha de madeira medindo 24,5 x 19,5 cm  | caixas de fósforos  | e imagens da crucificação de Cristo  | 2015

Indiferença é o estado mais comum que vivemos hoje. Fazemos coisas que muitas vezes não nos leva a lugar nenhum. Com as novas tecnologias estamos cada vez mais distantes um dos outros. É ilusão achar que as redes sociais e os novos brinquedos nos aproximam mais e nos faz mais humanos. O celular, objeto de consumo mais desejado ultimamente, nos aliena e nos faz lobo de nós mesmo.

O trabalho que estou apresentando é composto de quatro caixas de fósforos imitado celulares. Em cada um há um pedaço do Cristo crucificado, ou seja, seus braços na cruz, sua cabeça e seus pés. É o modo que encontrei de representar o cristo interior que temos e que não consegue se manifestar, pois está preso, crucificado, pregado. Pregado no celular. As imagens só aparecem nas quatro caixas-celulares que estão coladas num pedaço de madeira pintada de preto, representando nosso isolamento ou luto inconsciente. Não há um corpo inteiro porque nunca estamos de corpo inteiro nas nossas atividades diárias: ou estamos no passado, ou estamos no futuro; nunca no presente. É ilusão achar que podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo, jogar, passar e-mail e conversar no celular e com as pessoas que nos rodeiam. Tudo isso pode ser feito, no entanto, é superficial, muito superficial.

As pessoas, das quais tentamos contato, e que estão sempre com o celular nas mãos, sempre têm o mesmo discurso quando estão nesse aparelho, dizem elas: pode falar, estou escutando. É rapidinho. Já tô terminando.

O que está, ou o quem está dentro desse aparelho é mais importante do que a gente que está na frente. Há uma rosa entre as quatro caixas. Justamente onde estaria o coração ou nossa alma. Esta flor simboliza nossa alma que faz muito esforço para tentar se manifestar. Ela luta e tenta de várias maneiras desabrochar; o que é quase impossível. Mas há uma esperança. Ela é a esperança.

 


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